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‘Isso não precisava ter acontecido’, lamenta engenheiro do viaduto que caiu

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Bruno Contarini se esforçou para conter as lágrimas ao comentar o desabamento do Viaduto da Galeria dos Estados. O engenheiro ainda frisou: “Manutenção é obrigatório e pronto”

 

Bruno Contarini, engenheiro calculista da obra do viaduto sobre a Galeria dos Estados, construído à época da inauguração de Brasília, não tem dúvidas: faltou manutenção na estrutura que ruiu no fim da manhã de terça-feira (6). O especialista, que trabalhou junto a Oscar Niemeyer, foi chamado para colaborar com as investigações que devem apontar a causa do desastre no coração da capital do Brasil. O viaduto foi erguido em 40 dias e a queda arrancou lágrimas do engenheiro.

“Houve um problema de 40, 50 anos sem manutenção. Teve a oxidação da armação principal que falhou e provocou isso”, avalia Contarini. De acordo com ele, teve uma fissura, onde penetrou água que chegou a um aço que foi corroído e arrebentou-se. “Manutenção de qualquer obra de concreto deve ser feita no aparecimento de problemas como fissuras, o que pode durar cinco, dez, cem anos após a entrega. Manutenção é obrigatório e pronto”, afirma.

Feito para a inauguração da nova capital, o viaduto foi erguido em 40 dias, prazo considerado razoável para o momento, com estrutura suficiente para aguentar o peso dos veículos. O engenheiro foi responsável pela construção de dez viadutos da capital, além de obras como o Teatro Nacional, a plataforma superior da Rodoviária do Plano Piloto e o Minhocão da Universidade de Brasília (UnB). “É triste ver uma coisa que devia estar inteira arrebentado por corrosão. Isso não precisava ter acontecido. Graças a Deus ninguém se feriu”, lamentou, emocionado e com a voz embargada. Ele segurou as lágrimas.

O homem, que atua na engenharia há seis décadas diz que não trabalha com riscos. “Arrumaremos um jeito de segurar a estrutura para dar uma solução”, afirma. O que restou da estrutura poderá ser usada após estudo. Contarini deve permanecer em Brasília durante o tempo necessário para fazer o relatório que indicará se a estrutura será reconstruída ou corrigida. Todo o material do projeto da época da construção será usado para contribuir com as análises e perícias.

Fonte:Jornal de Brasilia

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