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Lixão: GDF compra equipamentos, mas catadores seguem aflitos

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Na tentativa de ampliar os serviços de triagem e coleta seletiva de lixo, o Governo do Distrito Federal (GDF) assinou 15 novos contratos com 14 cooperativas que prestarão esse serviço. Mesmo assim, catadores seguem apreensivos por causa da mudança na rotina de trabalho. As maiores preocupações são em relação ao transporte até os galpões e à quantidade de lixo que chegará até esses locais.

Além dos contratos, firmados por meio do Serviço de Limpeza Urbana do Distrito Federal (SLU), o governo vai entregar 793 equipamentos para auxiliar os catadores nos serviços de triagem. Balanças eletrônicas e mecânicas, empilhadeiras, carros cuba, carros plataforma, giricas, paleteiras, enxadas, rastelos, pás, forcados, conteiners e até esteiras serão doadas para os galpões. A falta de aparelhos é uma reclamação dos trabalhadores. Esses espaços serão usados por oito cooperativas, que vão lucrar até R$ 350 por tonelada separada.

Quanto à coleta seletiva, cooperativas prestadoras de serviço atenderão as regiões do Cruzeiro, Itapoã, Paranoá, Lago Sul, Lago Norte, Varjão, São Sebastião, Sobradinho I, e o Riacho Fundo I e II. Agora, o SLU aguarda a liberação de um novo edital para ampliar a coleta seletiva para todas as regiões administrativas do DF.

Fechamento

A diretora-presidente do SLU, Heliana Kátia Tavares, lembra que as medidas dão prosseguimento ao processo de fechamento do Lixão da Estrutural, ou Aterro Controlado do Jóquei (ACJ). “Dentro de apenas mais três dias colocaremos fim a uma chaga que envergonha a todos. Deixaremos de levar resíduos para o Aterro do Jóquei, que é catalogado como o segundo maior do mundo pela Associação Internacional de Resíduos Sólidos, atrás apenas do existente em Jakarta, na Indonésia”, aponta.

Com o fechamento do Lixão da Estrutural, os catadores deixarão de trabalhar intensamente a céu aberto e terão acesso a banheiros e bebedouros, além de uma rotina de trabalho definida. O governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg, acredita que essa mudança marca um novo capítulo na história do DF.

“Estamos curando uma ferida que estava aberta na capital do País. Eu tenho o sonho de que um dia toda a coleta e separação do lixo possa ser feita pelas cooperativas”, comenta.

Foto: Breno Esaki


Trabalhadores receosos com mudança na rotina

Mesmo com a melhoria das condições de trabalho, muitos catadores estão angustiados com a mudança. A catadora Maria de Fátima, de 37 anos, reconhece que a expectativa é grande, mas não sabe se a quantidade de lixo despejada nos galpões vai ser suficiente para todos os profissionais. “Já estamos trabalhando há uma semana e percebemos que está chegando menos do que a gente esperava”, relata a mulher.

Maria é catadora há 25 anos e reconhece que vai ser difícil se adaptar. “Antes a gente trabalhava no nosso horário, éramos nós que decidíamos a hora de entrar e sair. Agora vamos ter que cumprir horas, regras e trabalhar em conjunto, vamos ter que dividir o lucro do material separado com todos”, aponta.

João Hildebrando Santana, representante da Cooperativa Ecolimpo, também cita o trabalho em grupo como um dos principais fatores de dificuldade para os catadores acostumados à realidade do Lixão da Estrutural. “Muitos não confiam na mudança, pois não gostam de se submeter às normas”, expõe.

Já a presidente da Cooperativa de Reciclagem Ambiental da Cidade Estrutural (Corace), Lucia Fernandes do Nascimento, pede que o transporte também seja disponibilizado para os catadores. “Por enquanto estamos indo por conta própria e não é fácil para muita gente. Está sendo uma experiência nova e diferente”, afirma. Lucia também considera que a quantidade de lixo que está chegando aos centros de triagem é pequena.

Mesmo assim, há trabalhadores otimistas com a nova realidade. A catadora Marilene Ramos de Almeida, 60 anos, teve mais facilidade de se adaptar, porque em sua cooperativa ela já trabalhava de forma organizada. “Espero que melhorem ainda mais. Quem já está nesse ramo há muito tempo sabe das dificuldades e da importância do que está sendo feito”, complementa.

Fonte:Jornal de Brasilia

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