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Técnico mais jovem do Brasileiro destaca ciência e duelos com Ceni

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O que astros da seleção brasileira como Neymar, Alisson, Philippe Coutinho e Casemiro têm em comum com Luan Carlos Neto? Todos nasceram em 1992, vivem do futebol e iniciaram as respectivas carreiras precocemente. A diferença é que se a rotina dos quatro primeiros é dentro de campo, a de Luan é fora dele. Aos 28 anos, ele é o técnico mais jovem entre os 128 clubes das quatro principais divisões nacionais. Ele treina o Goianésia, clube do interior goiano que disputa a Série D do Campeonato Brasileiro, transmitida pela TV Brasil.

Apesar da juventude, Luan já está na quinta temporada como treinador. Antes do Azulão do Vale, como é conhecido o time atual, ele trabalhou nos também goianos Novo Horizonte (clube de sua cidade natal, Ipameri, a cerca de 200 quilômetros da capital Goiânia) e Grêmio Anápolis e nos cearenses Atlético-CE, Floresta e Caucaia.

“A carreira de treinador é muito ímpar, diferente, instável. Você está sempre se equilibrando em resultados. Você precisa de um bom relacionamento com os jogadores. Uma forma é ter conhecimento. É como tento me embasar, pelo conhecimento científico. Os atletas percebem que a gente tem algo a oferecer. A vivência tem me mostrado isso na prática. O respeito é uma via de mão dupla. O que explico [aos jogadores] é que estamos no mesmo patamar, que temos de conversar olho no olho, entendendo que o diálogo é a ferramenta”, descreve o técnico.

Luan já vivenciou os dois lados do futebol. Em 2018, foi semifinalista do Campeonato Cearense pelo Uniclinic (atual Atlético-CE) e eleito o segundo melhor técnico da competição, atrás de Marcelo Chamusca (do campeão Ceará). No segundo semestre da mesma temporada, levou o Novo Horizonte à primeira divisão do Campeonato Goiano. Já em 2020, o técnico não conseguiu evitar o rebaixamento do Floresta no Cearense.

“Nessa caminhada, tive altos e baixos. É natural. Mas vejo que posso melhorar com relação a tudo. A gente pode evoluir. Eu sempre me cobro muito no aspecto tático. Estudar mais o jogo, entender mais o jogo, para tirar o máximo possível dos atletas. Essa cobrança é diária e precisa ser constante”, afirma.

Luan treina o clube do interior goiano que disputa a Série D do Campeonato BrasileiroLuan treina o clube do interior goiano que disputa a Série D do Campeonato Brasileiro

Luan durante treino com o Goianésia, que disputa a Série D do Campeonato Brasileiro – Assessoria de Comunicação / Goianésia Esporte Clube

Da teoria a prática

O sonho de viver de futebol iniciou como o de muitos jovens. “Joguei por dois anos na categoria de base, no sub-14 e sub-16. Fui zagueiro”, conta Luan. Aprovado no curso de Educação Física da Universidade Federal de Goiás (UFG) aos 16 anos, teve que decidir se trocaria o campo pelos livros. “Eu não tinha tanta qualidade [técnica] assim”, brinca.

“Acabei entrando [no futebol] pelas portas da preparação física, pelo banco da universidade. Por isso, defendo muito a presença do conhecimento científico no futebol. Foi ele que me proporcionou estar onde estou e é o que quero seguir, em cada passo que der na carreira”, completa o profissional, que também é pós-graduado em Fisiologia do Exercício, Nutrição e Psicologia do Esporte.

Na mini-biblioteca que mantém em casa, a literatura de futebol é dominante. Especialmente a literatura portuguesa, com a qual mais se identifica. “Tenho uma admiração muito grande pela formação de treinadores em Portugal. Lá se escreve muito sobre futebol e se respeita o conhecimento científico. Não há tanto preconceito. Em sua maioria, os técnicos de lá são, de fato, professores”, diz Luan.

Especialistas portugueses como Júlio Garganta, que é doutor em ciência do esporte, ou o filósofo do futebol Manuel Sérgio se tornaram referências. Mas não só. “Leio muito sobre [os técnicos] Jorge Jesus e José Mourinho. Quando o Jesus veio para o Brasil, fiquei muito feliz, empolgado. Acompanhei vários jogos do Flamengo in loco, fiz questão”, recorda o goiano.

Com a experiência na beira do campo, surgiu a admiração por outros treinadores com os quais esteve frente a frente. Três deles em especial: Marcelo Chamusca, Lisca e Rogério Ceni. “Aprendi muito nesses confrontos, principalmente sobre estratégia. Eles me deram aula disso. Tive que me virar para sair do que estavam criando nos jogos. Saí com dor de cabeça deles [risos]. Mas foram as partidas que mais me ensinaram, pelo nível de dificuldade, que te obriga a dar uma resposta imediata”, destaca Luan.

Um desses jogos é especial para o técnico goiano: a vitória por 2 a 1 sobre o Fortaleza, na Arena Castelão, pelo Campeonato Cearense do ano passado, quando dirigia o Atlético-CE. Foi o primeiro triunfo contra Rogério Ceni, por quem havia sido derrotado nas duas vezes anteriores que se enfrentaram (ambas em 2018). “Foi um grande jogo, um espetáculo. Eles fizeram 1 a 0 com 12 segundos, mas mantivemos a nossa proposta de jogo. Empatamos e viramos”, lembra o profissional, que rasga elogios a Ceni: “Ele é muito estrategista. Muda a equipe oito, nove vezes na partida sem mexer em uma peça. É um cara muito inteligente, que pensa muito o jogo e joga junto com o time, que é algo que eu gosto também”.

Série D

Luan disputa a Série D do Brasileiro pela segunda vez. No ano passado, comandando o Atlético-CE, atingiu a segunda melhor campanha da primeira fase – ao lado de quatro times que também somaram 15 pontos em 18 possíveis. No mata-mata, a equipe caiu para o Bragantino-PA. Desta vez, a classificação na fase de grupos pelo Goianésia está bem encaminhada. Com um elenco cuja média etária é de quase 28 anos – justamente a idade do treinador -, o Azulão está em terceiro no Grupo 5, com 19 pontos, a um de se garantir na próxima fase.

Confira a classificação da Série D do Campeonato Brasileiro.

Fonte: Agência Brasil

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