Myke Sena/Jornal de Brasília

O Hospital Regional de Brazlândia (HRBz), única unidade básica de saúde da cidade, está com a estrutura interna prejudicada por mofo, pintura descascada, goteiras e pisos irregulares. Pacientes e acompanhantes reclamam da falta de equipamentos essenciais, como medidores de pressão, e da superlotação. A Secretaria de Saúde confirma que a unidade opera acima da capacidade, mas justifica que o atendimento emergencial não pode ser interrompido e, por isso, o local fica abarrotado.

A situação é ainda mais grave para quem está internado. A paciente Francisca Alves Coelho Gabriel, 73, está no box de emergência há nove dias. Entubada, em ventilação mecânica, em estado grave, mas estável, aguarda vaga em UTI.

Segundo a Secretaria de Saúde, o leito conta com suporte de UTI. “A paciente está inserida na Central de Regulação da Secretaria de Saúde e aguarda a liberação de vaga. Os pacientes recebem classificação de risco e os mais graves são priorizados. As buscas por leitos são realizadas constantemente durante 24 horas”, informou a secretaria, em nota. A espera pela vaga é angustiante para a família, lamenta a filha, Maria do Socorro Coelho Alves. “É verdade que ela está em uma semi UTI, mas não funciona. Os aparelhos estão quebrados”, frisa.

A pensionista de 55 anos se queixa da falta de manutenção em equipamentos básicos. “O aparelho de pressão marcou zero diversas vezes. Tiveram de injetar adrenalina sem necessidade”, lembra.

“No dia 12, chamamos o Samu. Minha mãe só respira com ajuda de cilindro de oxigênio e nem isso tinha na ambulância. Levaram ela assim mesmo. No hospital, foi direto para o box de emergência, foi entubada e o médico solicitou a UTI. Nesses nove dias, ela teve um derrame pleural, os rins pararam, teve parada cardíaca, a pressão e a glicemia ficaram descompensadas”.

Quatro dias após o início da internação, a pensionista foi ao Ministério Público solicitar vaga em UTI com urgência. Como nada foi feito até ontem, ela foi orientada a fazer uma denúncia pelo descumprimento da ordem emitida no dia 18 de dezembro. O JBr. teve acesso ao relatório médico apresentado no MP.

“Paciente com quadro de pneumonia com derrame pleural. Necessita de leito em UTI com suporte dialítico devido alteração na função renal, sendo que o HRBz não tem o suporte necessário”, escreveu a médica Amanda Chaves.

Bons profissionais, mas estrutura precária

Os pacientes que conversaram com o JBr. elogiam o serviço dos médicos, enfermeiros e técnicos e relatam que o serviço é prestado com excelência. “A estrutura em si que é ruim”, aponta Maria do Socorro Alves.

A diarista Vera Lúcia, 53, concorda que o atendimento é bom: “Desde a triagem no balcão até os médicos”. Mas aponta problemas: “A parte interna está feia, mas o banheiro estava limpo e consegui fazer todos os meus exames”, completa. A diarista esteve no local na última semana e descreve a cena. “Gente nos corredores e nos bancos aqui fora. Lotado”.

Também pela segunda vez no HRBz, a balconista Daniele de Almeida Reis narra a situação: “Tinha muita gente em estado grave pelos cantos, porque não tinha médico suficiente. Lá dentro, mofo, goteiras e chão molhado”, aponta.

Vânia Ferreira, promotora de vendas, 35, recebeu alta ontem e reclama da desorganização. “Banheiro mal acabado, chão irregular, TNT no lugar de lençol”, lamenta.

Versão oficial

O Hospital Regional de Brazlândia informou, em nota, que a unidade tem contrato com uma empresa que presta serviços de manutenção predial, à disposição 24 horas por dia “para atender a qualquer eventualidade”. Sobre as goteiras, a administração assegura que houve troca recente do telhado da unidade. Além disso, afirma que estão previstas a manutenção no revestimento do piso e do sobre piso do pronto-socorro. “A unidade ganhou pintura na parte externa e no interior de alguns setores”. Sobre o mofo, o HRBz alega que “quando se identifica mofo em alguma parede, a equipe de manutenção investiga o agente causador, faz o reparo necessário e a equipe de limpeza faz a higienização”.

Fonte Jornal de Brasilia

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