foto: Blog do Sombra

Esquema comandado por líder comunitário do Setor Habitacional Pôr do Sol negociava ilegalmente 173 terrenos.

Segundo a investigação, traficantes faziam a segurança do grupo vinculado à associação de moradores

Moradores do Setor Habitacional Pôr do Sol, em Ceilândia, amanheceram ontem com uma megaoperação da Polícia Civil, responsável pela prisão do líder da associação local, Alisson Borges. Ele é acusado de formar uma organização criminosa que loteou e vendeu, ilegalmente, 173 terrenos próximos à Quadra 702. Tudo indica, porém, que o esquema de grilagem de terras apenas fazia parte de um sistema de domínio muito maior da área invadida, com características parecidas ao que acontece nas favelas do Rio de Janeiro. Isso porque, após nove meses de investigações, a Operação Confraria prendeu três policiais militares e um funcionário da Administração Regional de Ceilândia, além de cinco traficantes.

Eles são suspeitos de lucrar R$ 2,2 milhões com práticas ilícitas. O próprio Alisson narrou à comunidade, em discurso, que obteve o valor, conforme mostra um dos vídeos divulgados pela Polícia Civil. Na filmagem, pode-se ver um veículo da Polícia Militar ao fundo. Em nota, a corporação informou que a Corregedoria investiga o caso. Ainda segundo a PM, os militares envolvidos “responderão individualmente nas esferas criminal e administrativa”.

De acordo com o delegado-chefe da 23ª Delegacia de Polícia (Ceilândia), Victor Dan, os policiais envolvidos atrapalhavam as investigações. O que impressiona, no entanto, é o fato de os PMs não terem denunciado os traficantes que faziam parte do esquema. “O tráfico, inclusive, atuava na segurança do grupo. Por exemplo, um sujeito que devia aos chefes da organização foi expulso por 15 homens armados na porta do barraco”, detalha Dan.

Para morar em um dos lotes divididos por Alisson, o inquilino pagava R$ 1 mil, parcelados em 10 vezes. No entanto, a organização cobrava até R$ 12,5 mil para instalar o “kit barraco”, ou seja, os tapumes e outros materiais necessários para a construção de uma pequena casa no terreno, cuja área variava de 400 a 600 metros quadrados.

Liderança

Chama a atenção, também, o fato de Alisson ter denunciado as invasões que ele mesmo realizou à Agência de Fiscalização do Distrito Federal (Agefis). Depois das operações de derrubada do órgão, o líder comunitário reconfigurar o território e conseguia escrituras que declararam a posse dos terrenos aos moradores. “O acusado pretendia se lançar como candidato a deputado distrital no ano que vem”, assinala o delegado Dan.

As investigações também chegaram a um elo entre o líder comunitário e um funcionário da Administração Regional de Ceilândia. A Polícia Civil, porém, afirmou que não pode informar detalhes sobre o suspeito, que também está detido. Em nota, a administração respondeu que vai exonerar o servidor e abrir sindicância para apurar o crime, caso confirmada a participação do suspeito.

A influência de Alisson no Setor Habitacional Pôr do Sol levou a 23ª DP não conduzir os detidos a nenhuma das delegacias de Ceilândia ou de Taguatinga, cidades mais próximas ao local onde a grilagem ocorria. Dessa forma, os presos seguiram para a 38ª DP (Vicente Pires). “Fizemos isso porque corria risco de confronto ou mesmo de represálias”, justificou o delegado Dan.

Fonte:Blog do Sombra

Comentários

Atenção! Os comentários do Jornal Fogo Cruzado DF são via Facebook, lembre-se que o comentário é de inteira responsabilidade do autor, comentários impróprios podem ser denunciados por outros usuários, acarretando até mesmo a perda da conta do Facebook.
COMPARTIHAR