Presidente da Câmara Legislativa do DF, deputada Celina Leão (PDT), que anunciou nesta terça que deixou a base do governador Rodrigo Rollemberg (Foto: Carlos Gandra/CLDF/Divulgação)
“Eu peço ao governador do DF que faça uma requalificação de seu governo, que faça o primeiro choque de gestão. Todos os projetos que o governador precisar para cuidar da cidade, ele terá o meu apoio. Mas essa Casa tem se portado de forma independente. Eu quero ter a liberdade de estar livre, descomprometida de qualquer projeto em que eu tenha dúvidas”, afirmou Celina.
A presidente da Câmara afirmou que cargos do GDF continuam nas mãos de gestores do ex-governador Agnelo Queiroz e que o PT está fazendo oposição sem deixar os postos. Segundo ela, as práticas de governo não foram alteradas pelas eleições.
“O que me deixa brava é você ver essas pessoas descredenciarem esse governador e estarem lá na Casa Civil. Tinham que ter vergonha na cara, pedir exoneração. Se falar que é mentira, eu tenho nomes, eu trouxe as listas”, afirmou, sem citar nomes ou cargos específicos.
Eu peço ao governador do DF que faça uma requalificação de seu governo, que faça o primeiro choque de gestão. Todos os projetos que o governador precisar para cuidar da cidade, ele terá o meu apoio. Mas essa Casa tem se portado de forma independente. Eu quero ter a liberdade de estar livre, descomprometida de qualquer projeto em que eu tenha dúvidas”
Deputada Celina Leão (PDT),
presidente da Câmara Legislativa do DF
Após o anúncio, o deputado Wasny de Roure (PT) pediu a palavra e negou que haja indicados da legenda em cargos de comando. “O PT nesta casa tem dado uma contribuição invejável ao governo. A maioria dos projetos do Buriti aprovados nesta Casa são substitutivos nossos. Gostaria que Vossa Excelência fosse clara quando acusa a presença do PT neste governo.”
Em resposta, Celina citou o chefe de gabinete da Casa Civil, Ricardo Taffner, e outras duas servidoras que foram indicadas pelo ex-chefe da pasta, Swedenberger Barbosa, segundo a deputada.
“Eu tenho mais de 56 nomes, indicações que permanecem no coração do GDF, que eram da gestão Agnelo, e isso só na Casa Civil. Não estou falando que são indicações de deputado, mas sim que permanecem no governo.”
Secretário-geral do PT no DF, Ricardo Vale afirmou que os nomes são mantidos no governo por escolha do Buriti. “Talvez os partidos da base, como o PDT, não tenham quadros capacitados para essas posições. Mas o PT é oposição, e esses servidores terão que escolher se são governo ou se são PT.”
Desabafo
Durante o pronunciamento, Celina também afirmou que o PDT foi “abandonado” pelo governo, embora tenha integrado a coligação na disputa eleitoral. “Os nossos senadores [Reguffe e Cristovam] sequer são consultados. Desde a transição, foi muito bem colocado que o lugar do PDT e do Solidariedade era longe, que o governo seria de técnicos. Temos um governo de técnicos, que não respeita a classe política e não resolve os problemas.”A presidente da Câmara Legislativa do Distrito Federal, Celina Leão, e o governador Rodrigo Rollemberg (Foto: Raquel Morais/G1)A presidente da Câmara Legislativa do Distrito Federal, Celina Leão, e o governador Rodrigo Rollemberg, durante anúncio de medidas econômicas do GDF (Foto: Raquel Morais/G1)Em conversa com a imprensa, Celina informou que pediu exoneração dos servidores comissionados que indicou na administração regional de Sobradinho II, incluindo o próprio administrador, Estevão Reis, ex-assessor da deputada. Segundo ela, são cerca de 40 nomes. Ela diz que os problemas foram se acumulando ao longo do semestre.
“É uma decisão que tomou maturidade agora, né. Seis meses é um tempo em que se esgota, de uma certa forma, a paciência, as tentativas de rever uma posição, uma mudança onde a gente acredita que é estratégico para o governador. É muito triste você ver pessoas que trabalham contra esse governo, o tempo todo, sabotando o governo”, diz.
Celina afirma que levou esse assunto várias vezes às reuniões com o Buriti, mas não foi ouvida. “Eles falam que é complicado, que entramos na Lei de Responsabilidade Fiscal, mas é mais complicado deixar essas pessoas dentro do governo. A Casa Civil é um exemplo, mas tem na saúde, na educação. Os servidores efetivos estão lá para não deixar a máquina pública parar”, diz.
Governo ‘surpreso’
O secretário de Relações Institucionais do GDF, Marcos Dantas, disse ter sido surpreendido pela decisão de Celina, a quem atribuiu adjetivos como “parceira”, “amiga” e “colaboradora”. Segundo ele, a decisão da parlamentar foi precipitada mas não deve estragar a relação. “Essas coisas, com o tempo, vão se ajustando. Lamento, porque era uma figura importante nesse momento. As portas não se fecharam”, diz.
Dantas diz discordar das acusações de isolamento das legendas aliadas. “Nós temos uma excelente relação com o PDT, temos diálogo permanente com os senadores. A deputada coloca uma questão, vamos respeitar, mas com todo carinho eu discordo”. O secretário disse que não vai comentar a manutenção dos supostos indicados do PT no governo.

Nós temos uma excelente relação com o PDT, temos diálogo permanente com os senadores. A deputada coloca uma questão, vamos respeitar, mas com todo carinho eu discordo”
Marcos Dantas,
secretário de Relações Institucionais do DF
Partido em dúvida
Correligionário de Celina, o deputado Joe Valle (PDT) disse que se mantém na base até que o partido se reúna e tome uma decisão coletiva. O parlamentar diz que ficou sabendo da mudança na base aliada “pela imprensa” e que a bancada do partido não foi consultada.
“Se houvesse uma reunião, acho que eu, o deputado Reginaldo [Veras] teríamos pacificado, apaziguado. Acredito que seja uma coisa breve, vai num dia e volta no outro. Mas vamos reunir a Executiva do partido e tomar uma decisão com base no partido”, afirmou Valle.
O parlamentar também disse que a saída de Celina deve dificultar ainda mais a aprovação do novo pacote de medidas econômicas, enviado no fim de maio. Os textos incluem aumento de 40% na Taxa de Limpeza Pública, venda de ações das empresas públicas do DF e isenção de impostos para os investimentos dos Jogos Olímpicos na capital.
Discordância
Desde fevereiro, a presidente da Câmara expressou publicamente uma série de discordâncias com o governo, especialmente nos projetos enviados pelo Executivo para aumentar a arrecadação pública. Mesmo com base ampla, o governo sofreu seis derrotas no parlamento até o início do maio.

A presidente da Câmara Legislativa do Distrito Federal, Celina Leão (PDT), deixou a base de apoio do governador Rodrigo Rollemberg nesta terça-feira (2). A decisão foi comunicada aos líderes dos partidos em uma reunião no início da tarde, e confirmada no plenário da Casa às 17h. Ela diz que adotará postura “independente”.

Em entrevista ao Bom Dia DF em 24 de abril, Celina disse que o projeto que reduzia o número de administrações regionais não reduzia corte de gastos e que a divisão da gestão em Ceilândia, anunciada em janeiro e cancelada quatro dias depois, tinha sido motivada por “disputa política”. A reforma das administrações foi ponto central da campanha de Rollemberg ao Buriti.

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