“Polícia assassina e covarde. Mataram meu menino”, desabafou Teresinha, que foi contida por familiares e amigos
Teresinha Maria de Jesus, mãe do menino Eduardo, de 10 anos, morto na última quinta-feira (2/4) em ação da Polícia Militar no Complexo do Alemão, participou da caminhada deste sábado (4/4), na comunidade da Zona Norte do Rio de Janeiro, contra a violência no morro. Durante o protesto, ela se mostrou indignada com a operação das forças de segurança que culminou na morte do filho, com um tiro na cabeça.
“Polícia assassina e covarde. Mataram meu menino”, desabafou Teresinha, que chegou a ser contida por familiares e amigos. Além dos pais do garoto Eduardo, os moradores do Complexo demonstram revolta com a violência no local. Eles acusam os policias de responsabilidade nas mortes de outras três pessoas no Complexo, nos últimos quatro dias. Os carros da PM que atuavam no local recebiam vaias e mensagens de reprovação dos manifestantes. Tomaz Silva/Agência Brasil
Durante o ato, algumas pessoas vestidas de branco levantavam cartazes com mensagens em solidariedade às mortes da favela, como “Somos todos Complexos” e “Tiro na cabeça não é despreparo”. Crianças erguiam placas com os dizeres: “Mereço viver sem medo de morrer”.
Segundo informações do pai de Eduardo, o corpo do menino será transferido neste domingo (5/4) para o Piauí, onde será enterrado. As definições sobre o sepultamento foram divulgadas neste sábado, após reunião entre a família, a secretária de Assistência Social do Rio, Teresa Cossentino; o chefe da Divisão de Homicídios, Rivaldo Barbosa e a secretária de Promoção dos Direitos da Criança e do Adolescente, Angélica Goulart.
ProtestoO ato, que segue de forma pacífica, começou por volta de 10h, com participação de coletivos culturais, organizações comunitárias e mototaxistas. 
O policiamento na região está reforçado por policiais das UPPs e de homens do Comando de Operações Especiais.  Na mesma noite em que os jovens morreram, cerca de 300 pessoas participaram de manifestações. E, ontem (3/4), um protesto dos moradores da favela foi interrompido por policiais militares com o uso de bombas de gás lacrimogêneo e disparos de balas de borracha.
Tiro na cabeçaO garoto de 10 anos foi baleado na porta de casa, durante uma ação policial na comunidade, conhecida como Areal. A Delegacia de Homicídios do Rio de Janeiro instaurou inquérito para apurar as circunstâncias da morte de Eduardo e os policiais envolvidos foram afastados.

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