Governo garante que pagamentos deste ano estão em dia, mas não tem como pagar o atrasado. Sanoli diz que estoque está acabando

Marco Aurélio Crescente, da Sanoli, diz estar com dificuldade de crédito bancário: rombo de R$ 21,5 milhõesSe a Sanoli Indústria e Comércio de Alimentação Ltda. paralisar os serviços na terça-feira, ou em qualquer momento da próxima semana, como previsto, os acompanhantes, servidores e pacientes dos hospitais públicos do Distrito Federal ficarão sem refeições. O secretário adjunto de Saúde do DF, Rubens Iglesias, afirmou em coletiva de imprensa, ontem, não ter um plano alternativo para fornecer as refeições da rede pública. “Contamos com o fornecimento deles, não temos como suprir a ausência da Sanoli.” Ele afirmou, porém, confiar no bom senso da empresa. “Seria de extrema irresponsabilidade, pois a Sanoli tem compromissos sociais com os pacientes.”
O secretário adjunto argumenta que todos os pagamento de 2015 estão em dia. “As dívidas do ano passado serão pagas pelo governo, dentro do fluxo financeiro.” Em janeiro, a pasta fez um repasse de quase R$ 10 milhões, referentes ao serviços daquele mês. Iglesias disse que aguarda só a apresentação das notas fiscais de fevereiro para efetuar o pagamento.
A Sanoli, que na quinta-feira passou a servir sopa aos servidores e acompanhantes, reconhece que o governo arcou com a última fatura, de janeiro, e que não faltará com o próximo pagamento, referente a fevereiro. No entanto, segundo o diretor-superintendente, Marco Aurélio Crescente, o problema é o rombo deixado pelo governo anterior, calculado em R$ 21,5 milhões. “O contrato é contínuo, no valor de R$ 10 milhões. Na última semana, eles pagaram R$ 2,4 milhões, mas isso vai suprir apenas uma semana.”
Ainda segundo Marco Aurélio, a Sanoli vai recalcular a dívida, os pagamentos e checar a possibilidade de expansão de crédito com os fornecedores para evitar a falta de comida. “De qualquer forma, isso é paliativo. Estamos com dificuldade de crédito no mercado bancário e sem credibilidade com os fornecedores.” Caso a empresa não consiga a expansão de crédito, corre risco de parar em quatro dias, ou até menos, em decorrência dos estoques esvaziados. 

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