O sentimento era de revolta e de indignação durante uma reunião de emergência convocada pelos moradores do referido condomínio, ocorrida no último sábado (28). O objetivo do encontro foi para encaminhar providências contra os homens que se identificam como sendo da empresa de segurança armada dos Prudentes.

Segundo os condôminos, os seguranças desfilam dentro do condomínio com escopetas de repetição calibre 12 e com comportamento ameaçador, contra quem reclama. “Estamos preocupados com isso, pois estamos diante uma tragédia anunciada”, disse uma moradora.

Os condôminos decidiram formular uma denúncia à Superintendência da Policia Federal sobre a exibição de armas pesadas dentro de um condomínio, o que colaca em risco a integridade física de seus moradores. É a PF que normatiza e regulamenta a atividade segurança privada no país.

 Denúncia na Policia Federal


Os moradores também decidiram encaminhar nesta terça-feira (03) uma notificação extrajudicial à empresa 5 Estrelas Sistema de Segurança LTDA exigindo que a mesma retire no prazo de 24 horas uma guarita montada pela empresa dentro do condomínio.

O síndico Jose Maria Martins disse ao Radar que os seguranças armados alegam que estão a serviço da Companhia Imobiliária de Brasília (TERRACAP), que se diz dona da área onde se encontra o Prive Lago Norte II, condomínio constituído há mais de 20 anos e com processo de regularização em andamento nos órgãos do GDF. O síndico acusa a Terracap de promover derrubadas no condomínio sem qualquer notificação e de forma ilegal, já que a empresa imobiliária do GDF não tem poder de policia para executar esse tipo de operações.

Os moradores contestam a reivindicação da posse da terra feita pela TERRACAP. Munidos de documentos os condôminos do Privê provam que a área é particular, atestada pela própria TERRACAP no inicio da constituição do condomínio e que adquiriram seus lotes de boa-fé. “Daqui não saio nem morto”, disse um morador indignado.

A escabrosa historia de grilagem 

Não é uma ação isolada a que ocorre com o condomínio Prive Lago Norte II, cujos tentáculos da TERRACAP operam para “garfar” a qualquer custo a propriedade particular.

A turbação do Privê está conectado com o escabroso caso de grilagem oficial de terras que envolvem a Companhia Imobiliária de Brasília para favorecer a Construtora OAS e a JC Gontijo Engenharia em um mega negocio de R$ 36 bilhões, batizado como “Nova Saída Norte”, e já denunciado aqui no radar por mais de uma vez.

A O.A.S e a J.C Gontijo respondem por crimes de lavagem de dinheiro, corrupção ativa e formação de quadrilha (Petrolão e Pandora). Além disso, a TERRACAP, empresa imobiliária das terras do GDF está sendo acusada na justiça de ter grilado 508 hectares de terra de uma propriedade particular, falsificando documentos no Cartório de Imóveis de Planaltina. A fraude foi feita pelo ex- oficial titular do cartório, Luiz Roberto de Souza. O mesmo chegou a ser preso por determinação do Juiz de Planaltina e encontra-se afastado de seu ofício até hoje.

 Moeda de troca

As terras griladas seriam a “moeda de troca” para que as duas construtoras erguessem no coração do Distrito Federal um “negócio da China”: um novo bairro residencial para até 100 000 habitantes. Parte desse projeto passa por cima do Condomínio Privê Lago Norte II, reconhecido como condomínio implantado e passível de regularização, conforme prevê o TAC 02/2007 do Ministério Publico do Distrito Federal.

Além de caso de policia, a fraude virou caso de justiça. O desembargador federal Sousa Prudente, da 5ª. Turma do TRF-1ª Região decidiu pela indisponibilidade dos 508 hectares da Fazenda Brejo ou Torto que tinha sido usurpada.

Os representantes da TERRACAP, na defesa apresentada ao Superior Tribunal de Justiça, com o objetivo de suspender a decisão monocrática do TRF, sustentaram que as averbações apontadas nas transcrições com números de ordem 4.101, 4.107, 4.108 e 4.109 no cartório de Planaltina são legitimas e foram realizadas em 03 de julho de 1937, há 77 anos.

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Golpe velho com caneta nova

No entanto, os advogados da Companhia Imobiliária de Brasília não souberam explicar como um documento tão antigo havia sido modificado com uma caneta esferográfica (BIC) que nem existia na época. A fraude fez com que a ministra Laurita Vaz, do STJ, mantivesse as matriculas bloqueadas das terras onde seria construído o novo bairro.

Enquanto isso a TERRCAP “bota pra quebrar” contra os moradores do Privê Lago Norte II que está na área particular da antiga fazenda Brejo ou Torto.

Da Redação Radar

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