
O Bloco das Montadas reuniu 120 mil pessoas no carnaval deste ano, segundo a Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal. O número colocou o evento como o maior bloco do DF em público no Carnaval 2026. Criado em 2018, o bloco surgiu a partir de uma convocação nas redes sociais e ganhou dimensão ao longo dos anos.
A primeira edição ocorreu no estacionamento do Setor Bancário Norte. A proposta era simples: uma troça carnavalesca puxada por drag queens. A adesão indicou uma demanda que não estava sendo atendida no Carnaval da capital.
“Uma convocação feita pelo Facebook se espalhou rapidamente pela cidade e o estacionamento principal do Setor Bancário Norte foi tomado por uma multidão. Aquilo evidenciou a ausência, no Carnaval de Brasília, de um bloco com as características próprias do Bloco das Montadas: uma troça carnavalesca puxada por drag queens”, afirma Ruth Venceremos, cofundadora e diretora do bloco, em entrevista ao Metrópoles.
A consolidação como movimento ocorreu após a pandemia. Em 2023, o bloco voltou às ruas e ocupou o Setor Bancário Norte e o Eixinho. O público superou o das edições anteriores.
“O estacionamento do SBN e o Eixinho estavam completamente tomados, e muitas pessoas sequer conseguiam descer da parte superior do Conjunto Nacional para o bloco, de tanta gente. Ali entendemos que não era só festa, era mobilização popular. Era um chamado coletivo para uma folia com respeito”, diz Ruth.
O bloco é resultado do trabalho do coletivo Distrito Drag. A organização atua na formação de pessoas LGBTQIA+ e na defesa de direitos, além de promover ações no mercado cultural do DF.
Segundo Ruth, o papel do bloco vai além da festa. A proposta inclui fortalecer artistas e ampliar a presença da comunidade no espaço público da capital: “É formar pessoas, fortalecer artistas e garantir que a nossa comunidade esteja no centro da cidade e não à margem dela“.
A ocupação da área central virou um marco do evento em 2025 e voltou a acontecer na edição de 2026, com a presença de Gretchen e Lia Clark. O show ocorreu na região do Museu Nacional e da Biblioteca Nacional, no Eixo Monumental.
“Significa um manifesto bonito e potente de celebração do nosso povo exatamente como ele é: diverso, alegre e com muita disposição para carnavalizar. Ocupar o centro com montação é afirmar que diversidade não é exceção, é parte da identidade da cidade. É dizer que também somos parte da cidade e da história do seu Carnaval.”
O crescimento do público também alterou o perfil do bloco. Embora tenha identidade LGBTQIA+, o evento passou a reunir pessoas de diferentes grupos. Ruth afirma que o sucesso indica mudanças na forma como a comunidade é vista na cidade.
Para o ano que vem, a organização estuda mudanças na estrutura e afirma que, com o aumento do público, a responsabilidade também cresce.
“Para 2027, queremos qualificar ainda mais esses espaços de cuidado e, do ponto de vista estrutural, já estamos estudando melhorias na sonorização de toda a área que abrange o Museu Nacional e a Biblioteca Nacional, considerando o crescimento expressivo do público. O público segue crescendo e a nossa responsabilidade também”, completa.
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https://chumbogrossodf.com.br/a-historia-do-bloco-lgbtqia-que-se-tornou-o-maior-do-carnaval-do-df/?fsp_sid=259973











































