Ouvidoria da Polícia do Estado de São Paulo pediu ao Ministério Público (MP), à Corregedoria da Polícia Militar (PM) e à Polícia Civil que apurem a denúncia de que o jovem morto durante operação na Favela do Moinho, no Centro da capital, sofreu tortura. A família da vítima será ouvida na Corregedoria na manhã desta sexta-feira (30).

Parentes de Leandro de Souza Santos, de 18 anos, disseram que policiais militares das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) atacaram o jovem com um martelo antes de matá-lo. Uma vizinha disse que os PMs passaram cerca de uma hora e meia no barraco onde o jovem se escondeu.

O caso ocorreu na manhã de terça-feira (27), quando a Rota, tropa de elite da PM paulista, realizava operação de combate ao tráfico de drogas na comunidade. Os policiais alegam que mataram Leandro durante uma troca de tiros. A vítima estava armada, segundo os agentes, e atirou neles. Em seguida, eles dizem que revidaram.

G1 apurou que essa versão de legítima defesa dos PMs, aliás, já foi dada por eles ao Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), que investiga se a ação policial foi realizada dentro da lei e se os agentes não cometeram excessos. Os PMs serão ouvidos novamente.

Por se tratar de um caso que envolve policiais, a Corregedoria da PM acompanha as investigações. O mesmo ocorre com o Ministério Público.

Mas o ouvidor da Polícia, Julio Cesar Fernandes Neves, afirmou ao G1 que pedirá que esses órgãos investiguem também a suspeita da família de Leandro de que o rapaz foi torturado e depois executado.

“Recebi essa denúncia no local dos fatos quando estive lá”, disse o ouvidor Julio Cesar. “Além disso, os parentes negam que o jovem andasse armado ou que tenha trocado tiros com a Rota.”

Julio Cesar contou que já procurou o MP, a Corregedoria da PM e até o DHPP, da Polícia Civil, para comunicar a denúncia dos familiares de Leandro. “Para você ter uma ideia, a perícia não durou 5 minutos. Tanto que esqueceu de recolher o martelo ensanguentado e uma cápsula de bala para análise.”

Segundo o ouvidor, o martelo e a bala foram levados por pessoas que os recolheram para o DHPP. “Foram entregues ontem [quarta-feira, dia 28]”,

Cinco tiros

Segundo parentes de Leandro disseram ao G1, o rapaz foi morto com pelo menos cinco tiros após tentar se esconder da Rota num barraco da comunidade. Não há relatos de que algum policial da Rota tenha se ferido. “Ele estava acuado. Pelos relatos dos moradores, o jovem foi torturado com marteladas”, disse o advogado Ariel de Castro Alves, coordenador da comissão da infância e juventude do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoas Humana (Condepe), que também acompanha o caso.

O DHPP deverá chamar os parentes de Leandro para serem ouvidos no departamento que investiga o caso. A polícia ainda aguarda o resultado do laudo do exame necroscópico para saber qual foi a causa da morte do rapaz.

“O corpo tinha hematomas, escoriações os dentes quebrados”, disse Ariel. “Havia sinais de golpes de martelo.”

De acordo com Lucas Santos, irmão de Leandro, o jovem foi torturado e levou cinco tiros, sendo dois no peito e três na barriga. “Mataram meu irmão”, disse. “Tinha um martelo sujo de sangue. Deram martelada no meu irmão.”

Lucas disse que, apesar de o irmão ser usuário de drogas, ele não traficava na Cracolândia. A polícia informou que traficantes se escondiam na Favela do Moinho, que era usada como base para abastecer o Centro da capital com crack.

Fonte: G1

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